
Os
novos avanços científicos da Acupuntura
Acupuntura,
essa milenar arte chinesa de tratar utilizando agulhas em locais específicos da
pele, vem sendo cada vez mais investigada pela ciência. Sempre intrigou os
cientistas como a acupuntura poderia agir de forma eficiente em problemas tão
diferentes de saúde. Alguns resultados pareciam quase mágicos, em especial no
tratamento de dor crônica, onde a acupuntura consegue resultados quando todos
outros métodos da medicina já haviam falhado. Também é intrigante as
respostas de pacientes com seqüelas neurológicas. As pesquisas recentes vêm
agora revelando como isso acontece.
Foi
descoberto que a acupuntura estimula uma capacidade das células nervosas
chamada de neuroplasticidade que permite que novas conexões se formem entre
elas. Com essas novas conexões formam-se também novos circuitos nervosos que
podem conduzir estímulos que antes estavam bloqueados. A neuroplasticidade
ocorre naturalmente e faz parte do processo de recuperação que qualquer pessoa
com seqüela neurológica experimenta. A vantagem é que a acupuntura aumenta de
forma significativa essa capacidade das células nervosas de estabelecerem novos
contatos, e com isso a recuperação dos problemas neurológicos é maior e mais
rápida.
Nos
pacientes com dor crônica, foi descoberto que há uma correlação entre a
extensão da área do cérebro que é estimulada quando o paciente sente dor, e
a intensidade e sofrimento causados pela dor. A acupuntura atua modulando essa
tendência à expansão da área cerebral estimulada pela dor, que diminui, e
com ela os sintomas e o sofrimento do paciente. Esse efeito neuromodulador da
acupuntura pode ainda explicar ainda outras das suas ações como a de reduzir a
ansiedade e melhorar a qualidade do sono. Isso explica porque o efeito analgésico
da acupuntura pode ser permanente e com isso livrar do sofrimento os portadores
de dor crônica.
Acupuntura
restaura funcionamento do cérebro e corta o estresse: Ainda
no cérebro a acupuntura inibe a liberação de um neurotransmissor chamado
substância 'P', que atua como um potente mediador da reação de estresse.
Inibindo essa substância, e aumentando a liberação de endorfinas a acupuntura
restaura o funcionamento normal do cérebro e corta o estresse do dia-a-dia,
sendo uma excelente opção para esse problema tão comum nos dias de hoje. Mas
as ações da acupuntura no estresse não se limitam a isso. Ela também causa
um relaxamento periférico na musculatura aliviando o quadro de tensão muscular
que acompanha o estresse mental. Cientistas descobriram que isso acontece por um
mecanismo chamado arco reflexo - é um caminho que o estímulo nervoso faz, indo
pela via sensitiva e voltando pela motora - , através de um inibição dos neurônios
motores do *corno anterior da medula.
Acupuntura
estimula o sistema imunológico: Foi
também descrito o mecanismo pelo qual a acupuntura influencia o sistema imunológico.
Ela atua em proteínas chamadas conexinas que existem na membrana de muitas células,
inclusive as de defesa, estimulando-as em suas funções. Foi demonstrado em
pacientes com câncer, recebendo quimioterapia e imunodeprimidos, que a
acupuntura estimula a função das chamadas células 'T' auxiliares além de
melhorar a capacidade de glóbulos brancos englobarem e destruírem bactérias.
Um mecanismo semelhante explica os efeitos da acupuntura na asma e na alergia. O
estímulo de células 'T' aumenta a formação de anticorpos do tipo IgG, e como
conseqüência uma redução dos do tipo IgE, que causam as reações alérgicas.
Outros
estudos ainda mostraram que a acupuntura aumenta estímulos específicos através
do nervo vago, que restauram os movimentos normais do intestino chamado de
movimentos peristálticos. Esse é um dos mecanismos que explicam a ação da
acupuntura em problemas digestivos crônicos, como prisão de ventre e síndrome
do cólon irritável. A ciência estás demonstrando que a acupuntura possui
mecanismos de ação mais complexos e variados do que se supunha inicialmente.
Espera-se que com os avanços da pesquisa científica possamos aumentar a eficiência
da acupuntura.
*Corno
anterior da medula: no meio da medula existe uma parte chamada substância
cinzenta onde ficam as células nervosas. Essa substância faz duas reentrâncias
sobre a parte externa chamada de substância branca, onde ficam os
prolongamentos das células, que depois formam os nervos. Cada reentrância é
chamada de corno, uma fica na parte de traz da medula (corno posterior) onde estão
as células sensitivas, e outro fica na parte da frente (corno anterior) onde
ficam as células motoras.
Atenção! Esse matéria não substitui uma consulta ou acompanhamento médico.