- Conheça
os alimentos funcionais, que você pode incluir em
sua
dieta diária para ajudar a prevenir doenças
- por
Roberta De Lucca | ilustrações Hugo Timm | foto André Spinola e Castro
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- Antes
de começar a ler este texto, dê uma parada e lembre-se das comidas que
estão na sua cozinha. No meio dos produtos que você compra há frutas,
verduras, leguminosas, peixes e castanhas? Ótimo. Sinal de que você se
alimenta bem e se preocupa com sua saúde. Mas sua dieta pode ficar ainda
melhor. Conhecendo as propriedades de cada alimento, dá para você
planejar sua alimentação a fim de, conscientemente, ajudar a prevenir
doenças que são comuns no Brasil ou na sua família. Os chamados
alimentos funcionais são muito mais que um modismo ou uma forma
“marqueteira” de os produtores explorarem a atual preocupação do
consumidor com a alimentação. Como diz o nome, eles funcionam de
verdade.
- Desde
que o mundo é mundo, o homem foi experimentando, escolhendo e
desenvolvendo comidinhas. Primeiro, a idéia era simplesmente encher a
barriga e evitar tudo que pudesse ser nocivo imediatamente. Funcionava na
base de tentativa e erro: se um barbudo do período mesolítico, há mais
de 12 mil anos, comesse determinado fruto e esticasse as canelas, o resto
do grupo passava a evitar esse alimento.As sociedades foram se
sofisticando e com ela o cardápio, como se nota pela evolução das
bebidas. O vinho é mais velho que Noé, mas foram os egípcios que começaram
a apreciar suas variedades. Os etíopes descobriram o café por volta do século
8, e só dois séculos depois os árabes tornaram a bebida popular na
forma de infusão. São dois bons exemplos, porque já mostram a preocupação
em agradar o paladar e, ao mesmo tempo, com os efeitos do que se ingeria.
O café era tomado também porque servia de estimulante, e o vinho deixava
todo mundo tão alegrinho que os romanos chegaram a achar que, depois de
alguns goles, a pessoa já estava enxergando melhor a verdade.
- O
conhecimento sobre os alimentos se acumulou ao longo dos tempos. Foi
temperado pelas especiarias das grandes navegações da Idade Moderna,
teve contribuições das culturas milenares do Oriente, ganhou
ingredientes próprios do Novo Mundo, das Américas. Ainda hoje, a
sabedoria popular é rica em apontar funções para esse ou aquele
chazinho, para essa ou aquela erva. Mas foi só recentemente que a ciência
passou a estudar os alimentos a fundo, identificando componentes que têm
ação específica para prevenir determinadas doenças no longo prazo. Uns
fornecem fibras, outros vitaminas, alguns têm minerais ou açúcares,e
por aí vai, cada tipo com impacto diferente no organismo ao longo da
vida.
- A
descoberta de que algumas comidas favoreciam a saúde aconteceu nos anos
80, quando cientistas japoneses começaram a analisar por que pessoas que
incluíam determinados alimentos em sua dieta ficavam menos doentes que
outras. Foi aí que nasceu o termo alimento funcional. Um exemplo de
componente que faz bem à saúde é o licopeno. A substância, presente no
tomate, está associada a menor risco de câncer na próstata e
enfermidades cardiovasculares. A ingestão diária desse fruto – sim, o
tomate é um fruto – tem sido indicada sobretudo para quem tem essas
doenças no histórico familiar.
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- Prevenção
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- Como
a gama dos alimentos do planeta é enorme, nem todos foram estudados
ainda, embora a ciência já saiba que muitos têm compostos que fazem bem
à saúde. As certezas que já se tem são suficientes para qualquer
pessoa adotar uma dieta rica em funcionais para ajudar a prevenir doenças.
Pre-ve-nir. Claro que os alimentos funcionais não são garantia de que a
pessoa não terá determinada doença.
- Primeiro,
porque não adianta comer os funcionais e continuar abusando de alimentos
menos saudáveis, como as carnes gordurosas ou frituras. Depois, há a
questão do estilo de vida. Quem é sedentário e fuma, por exemplo, está
diminuindo sua chance de ter vida longa e com saúde, não importa quanta
comida boa coma todos os dias. E ainda há as predisposições genéticas,
que tornam essa ou aquela doença mais provável de aparecer em uma família.
- Se
você quer tirar mais proveito desse tipo de alimento e não sabe bem por
onde começar, vamos ajudar na tarefa. Escolhemos as doenças que mais
matam no Brasil – que são as do coração e as decorrentes da
obesidade, como colesterol alto, além de determinados tipos de câncer
– e mostramos no quadro ao lado uma relação de alimentos que podem
ajudar na prevenção.
- Com
a lista, dá para perceber que há muitos alimentos funcionais fáceis de
encontrar e usuais na dieta do brasileiro. Este é um lado positivo dessa
forma de se cuidar bem: é viável, barata e pode ser muito gostosa. “A
dica geral é: consuma frutas, verduras e legumes da época e também
abuse da oferta desses produtos na região em que você mora”, afirma
Elizabeth Torres, professora do departamento de Nutrição da Faculdade de
Saúde Pública da USP.
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- Escolha
a dedo
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- Existe
uma convenção mundial que sugere a quantidade de cada tipo de alimento
recomendável para uma pessoa. É a chamada pirâmide alimentar, que
separa os alimentos em energéticos, reguladores, construtores e energéticos
extras. A recomendação é que esses grupos sejam consumidos em
quantidade descrescente, quer dizer, comer mais energéticos (pães,
massas, cereais) do que reguladores (legumes, frutas, verduras) ou
construtores (leite, carnes, peixes). Energéticos extras (gorduras e
doces), só moderamente. Segundo a nutricionista Maria Elizabeth Machado,
dá para se basear nessa pirâmide para compor uma dieta variada. “O
segredo é prestar atenção nas propriedades de cada tipo de alimento”,
diz.
- A
alimentação com produtos funcionais é um passo além da pirâmide
alimentar. Significa escolher a dedo o alimento que você vai consumir,
sabendo os componentes que contém e os efeitos que eles produzem. Mas
atenção: isso não é sinônimo de dieta monótona ou sem graça. Eu
adoro tomates in natura, mas, se você tem aflição com as sementinhas,
como é que vai comê-los de quatro a cinco vezes por semana, que é a
quantidade recomendada para ajudar a prevenir doenças? Bom, no caso do
tomate, o licopeno permanece mesmo depois que ele passa por transformação.
O molho de uma boa massa ou de uma pizza ocasional, cubinhos de tomate em
uma berinjela de forno e até o catchup também são fontes de licopeno.
Também dá para trocar por goiaba ou melancia, igualmente ricas no
composto. Quer mais um exemplo? O brócolis é uma excelente forma de
combater os chamados radicais livres,que enfraquecem o sistema imunológico,
favorecendo o desenvolvimento de cânceres. Quem não gosta ou quer variar
pode conseguir o mesmo efeito comendo algum “parente” dele –
couve-flor,nabo, rabanete, repolho, agrião ou folhas de mostarda.
- A
variação do cardápio é fundamental porque, para um alimento funcional
“fazer efeito”, ele precisa ser ingerido com freqüência e em
quantidades razoáveis. Quando decide atenuar os efeitos da menopausa e
prevenir os cânceres de mama e útero, por exemplo, a mulher deve incluir
a soja em seu cardápio para a vida toda. Não adianta comer sojinha
torrada uma vez por semana e achar que está bom. O FDA, órgão quem
regulamenta alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, recomenda o
consumo diário de 25 gramas de proteína texturizada de soja, o
equivalente a uma xícara de chá de grãos de soja. Vale lembrar que a
isoflavona da soja também aparece no queijo tofu, na pasta missô, no
leite e em sucos.
- No
caso dos alimentos funcionais industrializados, a coisa fica um pouco mais
complicada. Não que eles não tenham suas propriedades. As bebidas lácteas
com lactobacilos vivos e o iogurte que promete melhorar o desempenho da
flora intestinal são dois casos de produtos que de fato produzem efeitos
benéficos. A questão é não se deixar levar unicamente pelas promessas
que aparecem no rótulo. Emilia Ishimoto, pesquisadora da USP, alerta para
o fato de que há uma pitada de oportunismo da indústria alimentícia,
que pega carona no gosto do consumidor pelos funcionais. “O leite com ômega
3, por exemplo, de fato ajuda no combate ao colesterol ruim”, explica
Emilia. “Mas é preciso consumir 2 litros por dia para que o composto
que age sobre o colesterol seja realmente aproveitado pelo organismo, caso
a pessoa não coma nada de peixe, que é a fonte natural do ômega 3.
”Vamos concordar: não é fácil achar um ser que beba essa quantidade e
não seja um bezerro.
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- Lupa
no rótulo
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- Para
não levar para casa gato por lebre, é preciso ler os rótulos com atenção
e contar com a ajuda de especialistas. “Não dá para comprar sem saber
direito o que os alimentos industrializados oferecem”, afirma Jocelem
Mastrodi Salgado, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos
Funcionais e autora de vários livros sobre o assunto.
- As
barras de cereal, por exemplo, são excelente fonte de fibras, mas têm
gordura vegetal hidrogenada – a famigerada gordura trans, que eleva o
colesterol. Então, para ingerir fibras, é melhor dar preferência aos
vegetais. “Também é importante ficar atento a mentiras como a do
abacate sem colesterol. Nenhum alimento vegetal tem colesterol”, afirma
Jocelem. Para ajudar nesse pente-fino, a própria Jocelem costuma
responder e-mails de qualquer pessoa que deseje informações sobre
alimentos funcionais industrializados.
- Há
mais de 2 500 anos, o grego Hipócrates, pai da medicina, já dizia que nós
somos aquilo que comemos. Hoje, a sabedoria está em tirar proveito das
pesquisas científicas e escolher alimentos que são gostosos e, ao mesmo
tempo, reconhecidamente saudáveis. É saber unir o útil ao agradável.
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- Se
alimento tivesse bula...
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- ALHO
- Previne
hipertensão, câncer e inflamações, combate os radicais livres e reduz
os níveis de colesterol
DOSE DIÁRIA*: 1 dente
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- AVEIA
- Combate
o colesterol ruim e níveis elevados de açúcar no sangue
- DOSE
DIÁRIA*: Farelo – 4 colheres de sopa; farinha – 6 colheres de sopa
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- AZEITE
DE OLIVA
- Reduz
o colesterol ruim e previne inflamações
- DOSE
DIÁRIA*: 2 a 4 colheres de sopa
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- FRUTAS
E VERDURAS EM GERAL FOLHAS VERDES, CENOURA, PEPINO, BETERRABA, ABÓBORA,
ABOBRINHA, LIMÃO, MAÇÃ, LARANJA, BANANA, PÊRA, ABACATE, MELÃO E MAMÃO.
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- Previnem
doenças do coração, diabetes Mellitus, câncer, hipertensão arterial e
alterações na retina
DOSE DIÁRIA*: 300 a 400 gramas
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- PEIXES
MARINHOS SALMÃO, ATUM, SARDINHA
- Combatem
a aterosclerose e as doenças do coração
- DOSE
SEMANAL*: 2 filés pequenos, no mínimo
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- PRODUTOS
LÁCTEOS FERMENTADOS COM LACTOBACILOS VIVOS.
- Melhoram
a atuação da flora intestinal e combatem os radicais livres DOSE DIÁRIA*:
de 2 a 10 frascos
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- SEMENTES
OLEAGINOSAS NOZES, AVELÃS, AMÊNDOAS E PRINCIPALMENTE CASTANHA-DO-PARÁ.
- Previnem
doenças do coração e o colesterol ruim, além de combater os radicais
livres
DOSE DIÁRIA*: 30 a 50 gramas
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- SEMENTE
DE LINHAÇA
- Ajuda
a evitar colesterol e câncer no tubo digestivo
- DOSE
DIÁRIA*: 10 gramas, no mínimo
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- SOJA
- Previne
colesterol ruim, câncer de mama e osteoporose e melhora os sintomas da
menopausa
DOSE DIÁRIA*: 25 gramas de proteína texturizada ou 1 xícara de chá de
grãos
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- SUCO
DE UVA
OU VINHO TINTO
- Ajuda
a evitar doenças cardiovasculares e cerebrais, além do câncer
- DOSE
DIÁRIA*: 2 copos de suco (400 ml) ou 1 taça (250 ml) de vinho tinto
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- TOMATE
- Previne
câncer da próstata, doenças do coração e aterosclerose
- DOSE
DIÁRIA*: xícara de chá
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- VEGETAIS
CRUCÍFEROS NABO, BRÓCOLIS, COUVE-FLOR, RABANETE, REPOLHO, AGRIÃO E
FOLHAS DE MOSTARDA
- Ajudam
a evitar cânceres de mama e de próstata e combatem os radicais livres
QUANTIDADE DIÁRIA*: xícara de chá
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Quantidade recomendada para obter os melhores efeitos
- PARA
SABER MAIS
- LIVROS
Faça do Alimento seu Medicamento, Jocelem Mastrodi Salgado,
Madras
- NA
INTERNET www.sbaf.org.br
- site da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais, com informações
sobre história, efeitos e aplicações dos alimentos funcionais, além de
trazer o diagrama da pirâmide alimentar tradicional
- Jocelem
Mastrodi Salgado: jmsalgad@esalq.usp.br
- Fornece informações pontuais sobre alimentos funcionais e composição
de alimentos industrializados