Dieta e genética

A nova ciência que estuda as interações entre genes e alimentos revela que a nutrição sob medida é a senha para emagrecer e viver melhor.

Salmão para as artérias, soja para os hormônios, tomate contra o câncer. E, de quebra, a dieta de emagrecimento que é a última moda em Hollywood. Haja senso crítico para filtrar as recomendações alimentares divulgadas a todo momento como solução para todos - algo como o éden ao alcance da mão. Vamos aos fatos: é verdade que alguns nutrientes têm a capacidade de proteger o organismo contra doenças. Mas ninguém sabe ao certo por quais mecanismos essa brigada do bem atua nas células. Ou quanto é preciso consumir de cada alimento para conquistar o efeito terapêutico apregoado. Ou, ainda, por que alguns regimes funcionam muito bem em alguns indivíduos e são um fiasco para outros.

As dúvidas em relação aos alimentos são tantas que deram origem a uma nova área da Ciência: a nutrigenômica, que estuda as interações entre nutrientes e genes humanos. Os cientistas têm pela frente um trabalho semelhante ao da área farmacêutica, que investiga como os medicamentos agem de forma diferente de acordo com o perfil genético dos pacientes. É por isso que alguns remédios beneficiam uma parcela dos indivíduos e não fazem efeito em outros. Isso quando não produzem uma reação adversa fatal.  

Assim como acontece com os comprimidos, cada organismo relaciona-se de um jeito próprio com os nutrientes. A era das diretrizes válidas para todo mundo caminha para o fim. ''No futuro, teremos recomendações para diversos subgrupos populacionais com base na constituição genética de cada um'', disse a ÉPOCA Jose M. Ordovas, diretor do Laboratório de Nutrição e Genômica da Tufts University, em Boston, nos Estados Unidos. Ordovas é um dos principais líderes desse novo ramo, que também ganhou impulso com a recente criação da Organização Européia de Nutrigenômica, uma rede de 14 institutos de pesquisa.

Esses esforços mostram que a personalização das dietas é o segredo para quem pretende preservar a saúde ou perder peso sem amargar o eterno efeito sanfona. É possível que, nos próximos anos, os médicos possam solicitar testes genéticos para checar a existência de mutações que favorecem o aparecimento de determinadas doenças. E, com isso, traçar estratégias alimentares capazes de neutralizar a ação nefasta dos genes. Algumas pessoas serão aconselhadas a comer mais brócolis, outras a não passar perto de gordura, e assim por diante.  

O objetivo da nutrigenômica não é jogar por terra tudo o que o público já aprendeu sobre as propriedades dos alimentos. As diretrizes básicas da alimentação saudável, elaboradas por comitês especializados, ainda são uma ferramenta indispensável para ensinar noções de equilíbrio à mesa. O que os cientistas pretendem é refinar as investigações sobre as trocas bioquímicas entre os nutrientes e o organismo. O equivalente a mergulhar com lupa na estrutura molecular dos alimentos e ver como eles interagem no corpo. Algumas dessas relações começam a ser demonstradas. Em laboratório, os pesquisadores já verificaram que a lunasina encontrada na soja afeta 123 genes envolvidos no surgimento do câncer de próstata e ajuda a barrar o crescimento do tumor. E também que o brócolis estimula a ação de genes envolvidos na produção de antioxidantes que mantêm as artérias saudáveis.  

 

PIRÂMIDE BRASILEIRA  

A ilustração criada pela professora Sônia Tucunduva Philippi, da Universidade de São Paulo, ensina como adotar uma alimentação saudável. Os itens que estão na base devem ser consumidos em maior quantidade ao longo do dia. Os do alto devem ser ingeridos com parcimônia. O grupo do feijão é o diferencial em relação às pirâmides adotadas em outros países *Naturalmente presente ou adicionado   

Karina, de 25 anos, tinha colesterol altíssimo. O drama acabou quando aprendeu a comer frutas e evitar frituras

''Não é correto dizer que existem alimentos funcionais'', diz o professor José Eduardo Dutra de Oliveira, da divisão de nutrologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo. ''Existem, isso sim, substâncias funcionais dentro dos alimentos.'' Fascinado, aos 77 anos, pelas perspectivas abertas pelos estudos genéticos, o decano explica que atualmente há cerca de 50 nutrientes bem explorados. Mas estima que os alimentos contenham 500 deles, com potencial benéfico ou efeitos indesejáveis ainda totalmente desconhecidos. ''É verdade que eles podem combater doenças, mas tudo depende da quantidade, do tempo de uso e de quem os consome'', diz Dutra. Essas variáveis estão longe de ser completamente estabelecidas.  

No entanto, algumas intervenções nutricionais para combater doenças começam a virar realidade. A pesquisadora Sandra Soares Melo, também da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, foi premiada no congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição graças a seu trabalho com portadores de diabetes do tipo 2.  

Ela demonstrou que alguns pacientes carregam alterações genéticas que levam ao excesso de homocisteína no sangue. Em grandes quantidades, esse aminoácido pode desencadear doenças cardiovasculares. Sandra comprovou que a ingestão diária de 1 miligrama de ácido fólico (presente nas verduras escuras, mas oferecido aos pacientes em forma concentrada) durante três meses reduz drasticamente os níveis da substância no sangue e o risco de infarto e derrame.  

Os testes genéticos disponíveis atualmente limitam-se a identificar mutações em poucos genes. Por isso, ainda são um instrumento limitado de adequação de hábitos alimentares. Mas um plano traçado por nutricionista ou nutrólogo (médico especializado na reação dos nutrientes no organismo) é a melhor forma de atingir o sucesso. Para personalizar a dieta (independentemente do objetivo: perder peso, controlar o colesterol, fortalecer o sistema imunológico), os especialistas analisam o histórico familiar, os hábitos e a rotina do paciente. Quando necessário, solicitam análises corriqueiras de sangue, como colesterol, triglicérides, glicemia etc. Nada de exame de fio de cabelo, que, segundo a maioria dos médicos, é incapaz de fornecer qualquer informação sobre os alimentos mais adequados para cada indivíduo.  

Graças a uma estratégia individual, a fisioterapeuta paulistana Karina Jeremias, de 25 anos, resolveu seu problema. Apesar de jovem, ela tinha colesterol altíssimo. Com a orientação de uma nutricionista, deixou de pular refeições, aprendeu a explorar novos alimentos e a atribuir a eles pontos de acordo com o valor calórico. Livrou-se do colesterol alto e ainda perdeu 10 quilos. ''Mudei minha vida há três anos e consegui seguir na linha'', conta.   

O engenheiro Germano Bezerra passou a trabalhar com mais disposição depois que perdeu quase 20 quilos

A tão esperada reeducação alimentar costuma levar pelo menos seis meses para se concretizar, mas é a única forma realmente eficaz de manter hábitos saudáveis para sempre. ''Um amplo estudo publicado na revista Obesity Research comprovou que nenhuma dieta da moda funciona a longo prazo'', explica a nutricionista Mariana Del Bosco Rodrigues, da Clínica Zuleika Halpern.

O engenheiro cearense Germano Bezerra, de 27 anos, nunca havia feito regime até que em julho do ano passado decidiu dar um basta na rotina desorganizada e engordativa. Funcionou. Uma nutricionista colocou ordem nos horários, reduziu as visitas à pizzaria e convenceu-o a malhar. Resultado: perdeu quase 20 quilos e não quer outra vida. ''Meu objetivo era apenas emagrecer; agora é ter a saúde mais equilibrada'', diz.  

O sucesso ou o fracasso das dietas tem muito a ver com a genética de cada indivíduo, além, é claro, da motivação e do comprometimento de cada um com o novo projeto de vida. Os genes influenciam o ritmo do metabolismo e o modo como a gordura é absorvida pelo organismo. Isso ajuda a explicar por que a dieta do Dr. Atkins pode ter deixado aquela amiga fininha sem fazer grande diferença para você.  

O metabolismo de cada pessoa é único e, por isso, o ideal é que as intervenções para redução de peso sejam planejadas individualmente. A designer gráfico Juliana Pontes, de 26 anos, nunca teve problemas com a balança. Mas apesar de magra não conseguia se livrar de incômodos pneuzinhos na barriga. Há quatro anos, uma nutricionista lhe mostrou o caminho das pedras. A carioca aprendeu a combinar os alimentos na proporção correta, sem abrir mão de nenhum grupo alimentar. Está feliz com o corpo.

Na hora de montar a estratégia, os especialistas costumam partir da combinação preconizada pela Organização Mundial de Saúde (50% de carboidratos, 30% de gorduras mono ou poliinsaturadas como azeite e óleo de girassol e 20% de proteínas) e fazem ajustes sob medida. Eles garantem que dietas da moda são o passaporte para o efeito sanfona.  

Aos 26 anos, Juliana sempre esteve em paz com a balança. Mas perdeu pneuzinhos na barriga graças à alimentação personalizada

''Se eu inventar a dieta do bombom (a pessoa come de tudo e ainda tem direito ao doce uma vez por dia), vou ficar rico, porque qualquer método funciona nos primeiros meses, quando as pessoas estão tão motivadas que realmente reduzem a ingestão de calorias'', explica o endocrinologista Walmir Coutinho, ex-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade. O problema é que o resultado não se mantém a longo prazo, porque ninguém agüenta seguir regimes radicais e monótonos.  

É o caso da dieta do tipo sanguíneo, uma tentativa mirabolante de personalização criada pelo americano Peter J. D'Adamo, que prega uma alimentação diferenciada para cada tipo sanguíneo. As pessoas de sangue tipo O seriam caçadoras carnívoras, as de tipo A vegetarianas dóceis, as do grupo B amantes dos laticínios. ''Isso é o que eu chamo de viagem astral, sem nenhuma base científica'', afirma Coutinho.  

Inspirada nessa dieta controversa, a arquiteta e designer Claudia Leroy decidiu deixar de comer batata, que é desaconselhada para pessoas de seu tipo sanguíneo (O). Adaptou recomendações de outras fontes - como não misturar carboidratos e proteínas na mesma refeição - e acabou criando um plano só para si. Perdeu 12 quilos e incorporou novos hábitos. ''Tenho sempre suco de soja, iogurte e frutas em meu ateliê'', conta. Para aproveitar ao máximo os benefícios dos alimentos, o ideal é comer porções menores e variadas que possam garantir semanalmente todos os nutrientes de que o corpo precisa. ''De tempos em tempos, um item vira vedete e só se fala nele, mas na verdade todos os alimentos têm funções específicas e nenhum grupo deve ser desprezado'', comenta Tânia Rodrigues, da RGNutri Consultoria Nutricional e presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Esportiva.  

A onda da soja serve de exemplo. Está comprovado que as isoflavonas presentes no grão podem atenuar sintomas da menopausa. Mas nem todas as mulheres que tomam cápsulas concentradas das substâncias conseguem o efeito esperado. ''Há muitas dúvidas sobre essas propriedades, mas recomendo o consumo de soja porque é nutritiva e mal não deve fazer'', diz Tânia.  

A designer Claudia Leroy inspirou-se em várias linhas para criar a própria dieta. Perdeu 12 quilos e não dispensa o suco de soja

Atribuir efeitos terapêuticos aos alimentos se torna ainda mais complicado quando o assunto é câncer, doença disparada por uma combinação de fatores que extrapolam o terreno dos hábitos alimentares. ''Essa é uma das áreas mais efervescentes porque provavelmente muitas substâncias da dieta podem ter um papel no combate à doença. Mas é cedo para sair apregoando benefícios'', diz o professor Helio Vannucchi, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.  

O avanço da nutrigenômica colocará esses atributos à prova e, para alívio os crédulos e dos céticos, lançará luzes sobre a pregação apaixonada de que os alimentos curam. Afinal, viver mais e melhor (de preferência, sem fazer força) é o objetivo maior de qualquer um.  

O cérebro da nutrigenômica  

O estudo das relações entre os nutrientes e os genes levará à criação de dietas personalizadas

LABORATÓRIO

Há mais de 20 anos, Jose M. Ordovas pesquisa fatores genéticos que aumentam o risco de doenças cardiovasculares e a relação deles com a alimentação. Atualmente conduz estudos para determinar o risco cardiovascular de diferentes populações ao redor do mundo, com ênfase na Ásia e no Mediterrâneo

A maioria dos problemas de saúde faz parte de uma complexa interação entre o que fazemos (alimentos preferidos, quantidade de atividade física) e os códigos genéticos que esses hábitos ativam ou suprimem. A nutrigenômica promete elucidar muitas dessas relações. Um dos principais cientistas à frente dessa nova área é Jose M. Ordovas, diretor do Laboratório de Nutrição e Genômica da Tufts University, em Boston. A seguir, trechos da entrevista.  

 

ÉPOCA - Como os nutrientes interagem nos genes e determinam o estado de saúde?  

Jose M. Ordovas - Quando comemos, damos às células toda a energia de que elas precisam para funcionar corretamente. Mas nossos genes respondem aos nutrientes que consumimos. Mutações podem afetar a orquestração entre os genes e o ambiente (alimentos). Se o equilíbrio é quebrado, surge a doença.

ÉPOCA - Vocês já sabem que a soja afeta 123 genes envolvidos no câncer de próstata. Que tipo de interferência ela produz?

Ordovas - Ainda não conhecemos esses mecanismos com tanta precisão. Provavelmente há muitos outros exemplos de interação que serão desvendados com o avanço das pesquisas.

ÉPOCA - A resposta dos indivíduos a dietas como a do Dr. Atkins ou a South Beach varia muito. Qual é o papel desses regimes da moda?

Ordovas - Não há um programa perfeito para todo mundo porque cada um de nós é geneticamente único. Mas, por enquanto, é inviável oferecer bilhões de recomendações nutricionais diferentes. Então é preciso agrupar as pessoas para simplificar o problema. Funciona como a escolha de sapatos. Os pés de cada um têm suas particularidades, mas a maioria das pessoas não manda fazer sapatos sob medida. Elas escolhem pelo número e muitas vezes isso é suficiente para que se sintam confortáveis. Com as dietas ocorre o mesmo. Algumas pessoas se beneficiam com a do Dr. Atkins e outras não. Os estudos genéticos vão nos dizer o porquê.

Alimentos importantes

SELEÇÃO DOS 20 SUPERALIMENTOS
As principais propriedades nutricionais e as interações nos genes do corpo humano que começam a ser demonstradas
BRÓCOLIS
Estimula a ação de genes que aumentam a produção de glutationa, antioxidante que ajuda a manter as artérias saudáveis
CENOURA
É uma das principais fontes de betacaroteno, substância que combate os radicais livres que provocam mutações nas células e podem levar ao surgimento do câncer
AZEITE
As versões extravirgens contêm gorduras monoinsaturadas, que fazem bem ao coração. Quem quer emagrecer deve prestar atenção às quantidades ingeridas. Uma colher de sopa contém 90 calorias
PÃO INTEGRAL 
Contém maior quantidade de fibras, vitaminas e minerais. O pãozinho francês também é excelente fonte de carboidrato e não engorda tanto quanto se imagina (contém 33% de água). Os acompanhamentos (manteiga, margarina, queijo) é que costumam ser muito calóricos
SUCO DE LARANJA 
É uma das bebidas mais saudáveis. A fruta é excelente fonte de vitamina C (59 mg por 100 g), que parece reduzir o risco de alterações celulares que desencadeiam o câncer. O suco deve ser espremido pouco antes do consumo para evitar a perda do nutriente
CHÁ VERDE 
Contém antioxidantes que ajudam a prevenir doenças cardiovasculares. Em algumas mulheres, parece silenciar genes como o HER-2, envolvidos no crescimento de tumores agressivos de mama
SALMÃO
Virou vedete por causa do ômega 3, ácido graxo que tem sido alvo de vários estudos. O consumo regular (duas vezes por semana) parece reduzir o risco de infarto e derrames. O peixe também é excelente fonte de proteínas
AVEIA
Rica em fibras insolúveis, que arrastam substâncias tóxicas para fora do organismo e reduzem o risco de desenvolvimento de câncer de intestino. Ela também aumenta a sensação de saciedade e ajuda quem precisa perder peso
FEIJÃO
Base da alimentação brasileira, é riquíssimo em nutrientes: vitaminas do complexo B, carboidratos, fibras, ferro. O teor protéico é considerado quase completo porque oferece a maioria dos aminoácidos essenciais. Os demais aminoácidos são encontrados no arroz, o que faz da combinação arroz-feijão uma das melhores fontes de proteínas vegetais
CASTANHA-DO-PARÁ
Rica em ácidos graxos poliinsaturados, reduz os níveis de colesterol. Altamente calórica (650 calorias em 100 g), deve ser consumida com moderação. É ótima fonte de selênio, potente antioxidante relacionado à redução de risco de câncer de próstata
TOMATE
Estudos relacionam o consumo freqüente de licopeno, elemento que dá a cor avermelhada ao fruto, a menor risco de tumores de próstata e pâncreas. Ele também ajuda a reduzir os níveis de colesterol ruim no sangue
NOZES
Assim como a castanha-do-pará, têm sido relacionadas à proteção do coração quando consumidas diariamente (30 g)
SOJA
Rica em proteína vegetal, ajuda no combate ao colesterol. Outro componente, a lunasina, atua em 123 genes e parece inibir tumores de próstata
VINHO TINTO 
O resveratrol presente no vinho tinto é o principal responsável pelos benefícios atribuídos à bebida. A substância antioxidante reduz o acúmulo de colesterol nas artérias. A casca das uvas vermelhas tem o mesmo potencial
ABACAXI
Fornece boa quantidade de vitamina C (61 mg em 100 g), além de fibras que previnem prisão de ventre. Não é verdade que ''limpe'' as gorduras do organismo. A fruta possui uma substância que auxilia na digestão de proteínas e outros alimentos
CURRY
A curcumina, uma das substâncias presentes no condimento, afeta o gene COX-2, que promove inflamações. É possível que tenha algum papel na prevenção de câncer de intestino e do mal de Alzheimer
MAÇÃ
É fonte de fibras solúveis, que interferem nos picos de glicose. Sem tanta urgência por insulina, o pâncreas é poupado. Ideal para os diabéticos
ALHO
Contém alicina, que parece reduzir a pressão arterial e combater bactérias. É rico também em selênio e zinco, que fortalecem o sistema imunológico
Fontes: Larousse da Dieta e da Nutrição e Tânia Rodrigues, sócia-diretora da RGNutri Consultoria Nutricional
ProDução Beth Freidenson.
Agradecimentos Suxxar e Spice
Fotos: Antônio Rodrigues
Produção: Beth Freidenson
Revista Época