Tônicos Amargos da Natureza

Eles estimulam o apetite e favorecem a digestão, graças ao aumento do suco gástrico que provocam. Há vários tipos de ervas amargas. Veja aqui algumas delas e como agem no organismo.

São ervas comuns, algumas freqüentam nossos jardins. Por detrás dessa humildade, contudo, elas escondem poderosas soluções.

A REPUTAÇÃO DAS ERVAS AMARGAS ALCANÇA OS TEMPOS BÍBLICOS.

Muitas culturas tem usado ervas amargas, destacando-se as culturas asiáticas, européias e americanas, mas são europeus que se destacaram como os maiores usuários dessas ervas como auxiliares digestivos, tomadas antes ou após generosas refeições.

As ervas amargas são usadas para estimular o apetite e favorecer a digestão pelo aumento da secreção dos sucos gástricos. Estes resultados são provenientes da estimulação pelos princípios amargos das ervas utilizadas e outros efeitos específicos provenientes de diferentes ervas.

A maioria das pessoas sabe que a saliva aumenta quando se come algo amargo. Por ação reflexa, há também estimulação dos sucos digestivos do pâncreas, duodeno e fígado. De acordo com o herbalista David Hoffman, “ervas amargas auxiliam o fígado no trabalho de desintoxicação e aumentam o fluxo da bile”.

Elas também têm ação tônica geral, segundo o Dr. Rudolf Weiss, que cita evidências científicas de que aumentaram a resposta do sistema nervoso simpático que auxilia no controle do metabolismo. Algumas ervas amargas, entre as quais se incluem a genciana e o cardo santo, também facilitam a função cardíaca.

Weiss assinala, contudo, que estudos clínicos sobre as ervas são difíceis, porque podem exigir uso prolongado para produzir ótimos resultados. “Acontece um erro comum quando se tenta determinar a ação das ervas com base em um única dose. Evidência de maior peso é providenciada pela experiência clínica, observações em casos reais ou a prática empírica. O fato de que as ervas amargas tenham sido usadas há tanto tempo quanto o homem se recorde é prova suficiente.”

Há vários tipos de ervas amargas, algumas das quais apresentadas como aperitivos e outras vendidas especificamente para tratamento pessoal de problemas digestivos ou para facilitar a digestão.

Nesta última categoria, há três amplos grupos: amargos tônicos, que se apóiam quase inteiramente nos princípios amargos; amargos aromáticos, que combinam ervas amargas com princípios aromáticos contendo óleos voláteis e amargos quentes como ginger, que podem agir por meio de estimulação diretamente no interior do estômago e intestinos.

INGREDIENTES AMARGOS

Genciana. Provavelmente o ingrediente amargo mais popular é a raiz de genciana. Qualquer uma das várias espécies são utilizadas e ela forma o básico dos princípios amargos utilizados em aperitivos e licores amargos, bem como nos preparados medicinais.

A raiz de genciana é tão intensamente amarga que seu gosto pode ser detectado numa diluição de 1:20.000. Seu uso tem sido valioso no tratamento de indigestão e azia e como estimulante da vesícula biliar e do pâncreas.

Parece haver discordância sobre a rapidez de ação da genciana. Mowrey declara que sua atividade começa cerca de cinco minutos depois de alcançar o estômago, enquanto Weiss afirma que ela se torna ativa no momento em que é absorvida pela mucosa da membrana da boca.

Cardo santo. é outro ingrediente de ervas aromáticas que estimula o apetite e a digestão. Dela também se afirma que dispersa a flatulência e estimula a secreção da bile. Além de seu uso medicinal, ela é também utilizada em licores. É muito menos amarga que a genciana, contudo, seu sabor está na faixa de 1:1.800.

A centáurea (Erythraea centaurium), como nível de amargor na faixa de 1 para 3.500, aumenta a secreção do suco gástrico e tem sido demostrado intensificar a motilidade gástrica. Ela também aumenta a circulação, possivelmente por causa do efeito tônico sobre os vasos sangüíneos.

AMARGAS E AROMÁTICAS

Raiz de angélica é membro da família das cenouras, angelica archangelica. A raiz de angélica é muito popular na Europa, utilizada na flavorização de doces, licores e bebidas. Provavelmente a mais respeitada das ervas aromáticas, ela combina os efeitos do amargo com os efeitos carminativos de muitas ervas aromáticas e especiarias.

A amplamente respeitada referência alemã, Hagers Handbook, também pretende outros efeitos para a angélica, incluindo a estimulação da perspiração, que se julga capaz de reduzir a temperatura do corpo, tendo também efeitos diuréticos, expectorantes e espasmódicos.

Devido a seus efeitos expectorantes, auxiliando na eliminação do muco dos brônquios, a raiz tem sido utilizada contra resfriados brônquios e outras condições que envolvem congestão dos brônquios.

Como alimento, as sementes de angélica têm sido utilizadas para fazer vermute, vinhos flavorizados e perfumes. As raízes, juntamente com aromas, são utilizados no gim e o óleo das sementes servem para dar sabor a cremes e pães. A angélica pode também ser usada em forma de salada fresca ou cozida e preparada como o ruibarbo.

De modo preponderante, porém, a reputação da angélica está baseada em seu uso para o estômago. Esta característica amplia seu uso para além da simples dispepsia ou transtornos digestivos, para incluir aplicações contra enterite, flatulência, gastrite e mesmo como remédio caseiro para câncer do estômago.

Commiphora myrrha. Um tipo de goma de mirra produzida por uma árvore africana. Muitos a conhecem como ingrediente de um incenso, considerado poderoso desinfetante, embora um estudo realizado nos anos 50 tenha descoberto que o óleo volátil de mirra é inoperante contra bactérias. A mirra é altamente valorizada na aiurvédica para estimular a digestão.

Hortelã (Mentha piperita) é freqüentemente utilizada como auxiliar digestivo, mas não é considerada ingrediente amargo clássico. Mais do que isso, é planta aromática cujo óleo auxilia a digestão e alivia a sensação de repleção, plenitude, por aumentar a velocidade no esvaziamento do estômago. Além disso, é conhecida como carminativa, auxiliando a eliminar a flatulência.

Amargos quentes incluem gengibre, do Zingiber officinale. Está situada entre as mais respeitadas ervas para o estômago. Os efeitos do gengibre incluem proteção contra úlceras, um poderoso efeito anti-náusea, e o estímulo da digestão através do aumento da secreção de suco gástrico, e, provavelmente, aumento da circulação para os órgãos digestivos.

Muitos amargos contém ingredientes laxativos. Por esta razão duas das maiores drogas laxativas, sena e cáscara sagrada, aparecem na lista de ingredientes alimentícios da FDA (Food and Drug Administration), órgão norte-americano de controle de remédios e alimentos, como reconhecidamente seguros.

Laxativos estimulantes, que agem promovendo o aumento da atividade peristáltica ou muscular do trato digestivo, são muito freqüentemente utilizados para aliviar ocasionais constipações. São recomendados, freqüentemente para limpeza e desintoxicação, mas quando usados regularmente podem provocar dependência laxativa, pois os intestinos tornam-se acostumados a funcionar efetivamente apenas quando estimulados por estes agentes externos.

Aloe é um estimulante laxativo quando contém o composto aloim, presente sob a superfície da folha. Alguns produtos à base de aloe, que utilizam apenas o gel central, tem fraco ou nenhum efeito laxativo, embora mantenham seus efeitos calmantes no tecido do estômago.

Sena, do gênero Cassia, é talvez o laxativo mais amplamente utilizado no mundo. Tem sido usado como laxativo seguro por milhares de anos e é aprovado pelo FDA como seguro para o propósito.

A raiz de ruibarbo é também um ingrediente laxativo mas tem encontrado uso mais amplo na medicina chinesa tradicional. A variedade chinesa, Rheum officinale, é utilizada em diferentes porções como purgativo (laxativo forte), laxativo, adstringente, refrigerante (para reduzir a temperatura corporal) e emenagogo (estimulante da menstruação). É também usado na medicina chinesa para aliviar “inflamação do fígado”.

Fonte vida integral