Manga um remédio que poucos conhecem 

Saborosa, perfumada e rica em vitaminas, manga é remédio eficaz em vários casos. Também é aliada na economia: é uma das principais frutas a alcançar o mercado internacional.

Espada, Bourbon, rosa, favo de mel, coração-de-boi, rosa. Estes são alguns dos sobrenomes de uma das mais saborosas e perfumadas frutas que se pode provar: manga.

A manga comparece no cardápio sob muitas formas: compotas, marmeladas, geléias, sucos. Mas é ao natural que ela deixa o sabor mais inconfundível de sua polpa. Uma das mais ricas frutas em conteúdo de vitaminas A e C, possui, igualmente, apreciável conteúdo de vitaminas B1, B2 e B5, além de ferro, cálcio, fósforo, proteínas e gorduras.

Segundo o pesquisador Alfons Balbach, em seu livro As Frutas na Medicina Doméstica, a manga “combate as bronquites mais rebeldes, tem propriedades antiescorbúticas, é depurativa de sangue e favorece a diurese.”

Expectorante valioso nas enfermidades das vias respiratórias, combate catarro, tosse e bronquite, quando usada em forma de xarope com mel de abelhas. E, consumidas em jejum, também combate acidez e outras enfermidades do estômago, orienta o Dr. Ernest Schneider, autor de A Cura e a Saúde pelos Alimentos (Casa Publicadora Brasileira). “Diarréia e tuberculose são outras doenças em que o uso da manga é considerado”.

Delicada e difamada

A mangueira é uma planta tropical que se desenvolve bem em condições de clima subtropical. Originária do Sul da Ásia, a manga dispersou-se por todos os continentes, sendo cultivada atualmente em todos os países de clima tropical e subtropical. A manga destaca-se como uma fruta de alto valor comercial em muitas regiões do mundo, principalmente as regiões tropicais.

Universalmente, é considerada uma das mais delicadas frutas do mundo e, além de ter seu valor alimentar reconhecido, a manga é a quarta fruta dos trópicos a alcançar o mercado internacional, depois da banana, do abacaxi e do abacate.

Essa fruta, rica em vitaminas e outros elementos importantes para o organismo, tem sido difamada por conta de preconceitos e tabus. Um deles é considerá-la veneno quando misturada ao leite. Isso não passa de superstição. Há também uma falsa informação de que manga é uma fruta pesada e indigesta, especialmente se ingerida no desjejum ou à noite. Porém, em vez de prejudicar, tem grande importância como auxiliares dos movimentos peristálticos intestinais.

As vitaminas do complexo B, presentes em boa quantidade nas suculentas mangas, fazem parte das enzimas digestivas e da absorção dos nutrientes. Sua carência no organismo torna impossível a ingestão equilibrada de carboidratos e proteínas, causando falta de apetite, fadiga, apatia e transtornos no crescimento.

A manga possui, ainda, boa quantidade de um mineral bastante útil ao equilíbrio dos líquidos no corpo: o potássio. É verdade que ela perde para o abacate, a banana, a laranja e o mamão em potássio. Mas sua quantidade é muito significativa.

Aliás, recentes pesquisas sugerem que o potássio pode ter ação anticancerígena. Fósforo, magnésio e ferro, em menores quantidades, também estão presentes. Eles entram na composição dos músculos, sangue, ossos, dentes e hormônios.

O principal valor da manga está em seu alto teor vitamínico, principalmente de vitaminas A e C, variando, no caso da C, conforme a qualidade da manga. A rosa, por exemplo, é a que possui a mais elevada quota. Da vitamina A, cuja matéria-prima é o betacaroteno, se sabe que é o melhor combatente dos radicais livres.

Os radicais livres são considerados a ferrugem do corpo, provocando envelhecimento precoce. Devido ao alto teor de vitamina A, a manga é um excelente antioxidante do organismo. E, com todas essas vantagens, a manga está ao alcance de todos.

Cientistas cubanos descobriram na casca de algumas variedades desta árvore tropical um potente anti-oxidante que melhora a qualidade de vida de pessoas afetadas pela síndrome de imuno-deficiência adquirida.

O Vimang, produto cubano fabricado com extrato da casca de algumas espécies de mangueiras, melhora a qualidade de vida dos pacientes com aids e pode converter-se em eficaz complemento da terapia anti-retroviral, segundo estudo feito por instituições científicas de Cuba. A pesquisa, divulgada este ano e realizada em 2001 com 80 pacientes voluntários, concluiu que a fórmula do Vimang, de comprovada eficácia contra o estresse oxidante, é efetiva para reduzir esse dano que se torna crônico em pessoas com aids.

O processo natural de oxidação converte-se em estresse oxidante quando aumenta a velocidade de geração dos “radicais livres” ou outras substâncias oxidantes e reduz os sistemas de defesa antioxidantes. Este desequilíbrio entre oxidantes e anti-oxidantes está associado a numerosas patologias. No caso da aids, uma das causas mais dramáticas do estresse oxidante é a perda de células sangüíneas CD4, um tipo de linfócito T, que desempenha um papel central no sistema imunológico e cuja contagem indica o grau de proteção do organismo diante da enfermidade.

“Pouco tempo depois de tomar o Vimang meu apetite melhorou e sinto que tenho mais energia”, contou ao Terramérica Alicia Lafernal, de 43 anos, que vive com aids, há uma década, no sanatório de Santiago de Las Vegas, perto de Havana. Ninguém diria que Mariela Mendoza, de 48 anos, enfermeira nessa instituição, desde os 17 anos é portadora do HIV. “Continuei tomando esse medicamento depois desta pesquisa porque meu estado geral melhorou muito. Me sinto muito bem”, garantiu.

Aumento de peso, sensação de bem-estar geral, mais energia e melhor apetite foram reportados pelos pacientes que durante seis meses ingeriram oito tabletes diários de Vimang, como parte do teste clínico. O estudou aprovou o uso do Vimang como suplemento nutricional em pacientes com HIV e aids, analisando de forma simultânea sua toxidade renal, hepática e hematológica. Não se trata de substituir a dieta, mas de complementá-la para ajudar o organismo a recuperar o equilíbrio que perdeu, disse ao Terramérica Lizette Gil, bioquímica do Instituto de Medicina Tropical Pedro Kouri, especializado em tratamentos contra aids. “Buscamos estabilizar os distúrbios metabólicos, esse processo de estresse oxidante que não se consegue restaurar com nenhum terapia atual”, acrescentou.

Em Cuba, há dois anos as pessoas com aids são tratadas com esta terapia, que inclui três medicamentos. “O uso mundial deste medicamentos influiu no aumento da expectativa de vida do paciente, mas não eliminou efeitos colaterais que afetam a qualidade de vida”, explicou Gil. Aqui é onde o Vimang provou sua utilidade.

Elaborado pelo Centro de Química Farmacêutica, o Vimang é modulador imunológico, analgésico, antiinflamatório, vaso-dilatador e anti-espasmódico. Embora, no momento, seja vendido somente em algumas farmácias cubanas, é utilizado no tratamento de câncer, infertilidade e lupus.

Fonte: Vida Integral