Pesquisa põe em xeque imagem saudável da margarina
   
Alguns dos preceitos alimentares que sustentam o combate ao colesterol podem não estar tão corretos como se pensava. A margarina, por exemplo, pode ser tão prejudicial à saúde quanto a manteiga, ou mais que ela.
 
O processo que dá ao óleo vegetal a consistência sólida semelhante à da manteiga acaba por transformá-la em agente obstruidor das artérias. A margarina, considerada inofensiva à saúde no passado, passa a integrar a lista dos vilões.
 
Em estudo da Universidade de Tufts, em Boston (EUA), pesquisadores receitaram dietas com óleo de soja, margarina semilíquida, margarina pastosa, gordura vegetal para cozinhar e margarina em tabletes. Em seguida, compararam os níveis de gordura no sangue desses indivíduos com os de outras pessoas que se alimentaram com dietas ricas em manteiga.
 
Observou-se que, quanto maior a ingestão de ácidos graxos, maiores eram os níveis de gordura encontrados no sangue. Embora todos os substitutos da manteiga tenham reduzido o LDL (o "mau" colesterol), os ácidos graxos insaturados, em alguns casos, diminuíram a concentração do HDL (o "bom" colesterol), modificando a relação entre o HDL e o colesterol total.
 
No caso da margarina em tabletes, o resultado foi pior do que o obtido com o consumo de manteiga. Mas cientistas europeus já desenvolveram margarinas isentas de ácidos graxos insaturados, que aos poucos vão ocupando espaço nas prateleiras dos supermercados.
 
Mas para o endocrinologista Benedito Ezequiel Castilho de Souza o tema no Brasil ainda é polêmico. "A discussão gira em torno do grau de LDL e HDL que cada alimento contém", afirma o médico. "Existem algumas margarinas, por exemplo, produzidas com outro tipo de gordura chamada alvarina que são benéficas para a saúde", acrescenta Castilho.
 
O colesterol é uma substância gordurosa fundamental no processo de síntese de hormônios e composição da membrana das células, mas em excesso, forma placas espessas nas paredes internas das artérias, dificultando a circulação do sangue. O entupimento total da artéria pode causar o infarto, derrame ou problemas cardiovasculares.
 
A substância circula pelo corpo em duas formas diferentes: a lipoproteína de baixa densidade (LDL), o tipo mais prejudicial, e a lipoproteína de alta densidade (HDL), que exerce um efeito benéfico, isto é, ajuda a "varrer" o colesterol ruim do interior das artérias. Além disso, uma outra classe de gorduras, as triglicérides, circulam também no sangue e agem mais ou menos como o LDL, comprometendo a saúde cardíaca.
 
Os ovos, ao contrário, não são tão prejudiciais ao coração como os médicos costumam achar. Ricos em colesterol, mas não em gordura saturada, os ovos saíram da lista negra dos alimentos proibidos, exceto para quem tem problemas sérios de colesterol. Segundo um artigo do Journal of the American Medical Association, ingerir alimentos ricos em colesterol não significa necessariamente que os níveis do colesterol ruim (LDL) vão se elevar no sangue.
 
Apesar da descoberta de novas propriedades de alguns alimentos, os médicos recomendam ainda o consumo de menos carne, gorduras e manteiga, e mais azeite de oliva e peixe com aumento da atividade física para diminuir as taxas do colesterol ruim e as de triglicérides, substâncias que predispõem a camada interna das artérias à penetração de partículas do colesterol. Frisam também a importância de aumentar os níveis de HDL (colesterol bom) por meio de exercícios e diminuição do peso.
 
A gordura saturada, outro componente que pode estar presente na corrente sanguínea e contida na carne vermelha, na manteiga e em outros produtos de origem animal, pode ser uma ameaça maior ao coração do que o próprio colesterol.
 
Outras gorduras, como azeite de oliva e óleos vegetais, de salmão e de atum, ajudam a reduzir o colesterol ruim e fazer com que o sangue circule livremente pelo organismo.
 
As gorduras _que já foram consideradas nocivas à saúde em sua totalidade_ têm diversos componentes, alguns bons, outros ruins e outros neutros.
 
Mas o colesterol alto não é o único culpado pelo entupimento das artérias. Outros fatores como diabetes, tabagismo (fumo), hipertensão, estresse e sedentarismo aumentam o risco de surgirem sérios problemas de saúde, especialmente males cardíacos.
 
Dicas
 
Apesar de alguns alimentos tidos como benéficos ou inofensivos para a saúde passarem a vilões e outros considerados prejudiciais não o serem tanto, Castilho recomenda a mesma dieta alimentar para reduzir o colesterol. "Os estudos ainda não são conclusivos", diz. O regime pode ajudar a reduzir a taxa elevada de 10% a 15%. A ingestão diária da substância deve se restringir a 300mg/dl.
 
Para quem tem uma taxa alta de colesterol, recomenda-se:
 
·         Evitar o consumo de leite integral e seus derivados (queijos, prefira os menos gordurosos, como ricota e frescal)
 
·         Dar preferência às carnes de aves e peixes (sem as peles)
 
·         Reduzir o consumo de carne vermelha
 
·         Evitar biscoitos amanteigados, croissants, folhados, sorvetes cremosos, embutidos em geral (lingüiça salsicha e frios), carnes vermelhas gordurosas, carne de porco (bacon, torresmos), vísceras (fígado, miolo, miúdos)
 
·         Preferir as carnes de aves e peixes (sem as peles)
 
·         Trocar as frituras pelo assado
 
·         Evitar receitas que usem muito óleo
 
·         Substituir os molhos calóricos (como maionese e cremes) por outros, como o iogurte diet, sucos de tomate e mostarda
 
Folha Online