O Azeite Extra Virgem e a dieta alimentar do Mediterrâneo
 
As últimas décadas viram pesquisas científicas constantes que fazem uma contribuição considerável em direção ao aumento do entendimento da protogênese das doenças e da relação entre as doenças e a alimentação.
 
Essa pesquisa foi feita em todas as áreas, mas em particular na área de lipídeos que foram analisados por sua composição, sua resistência à deterioração oxidativa e seus efeitos metabólicos em pacientes doentes e saudáveis.
 
Com isso foi descoberto que um mecanismo peroxidativo causado por produtos intermediários do oxigênio está constantemente na raiz de muitos eventos patológicos, e que é possível proteger-se contra esse mecanismo consumindo antioxidantes e restringindo o substrato peroxidável.
 
Se consumido em grandes quantidades, os ácidos graxos saturados formam as membranas biológicas duras e pouco permeáveis. Eles provocam um aumento nos níveis de colesterol do plasma através da inibição dos receptores de LDL. Ácidos graxos polinsaturados aumentam a fluidez das membranas e estimulam a atividade receptora. No entanto eles prontamente passam por um início de peroxidação, causando danos na atividade celular, podendo alterar a apoproteína B-100 no LDL, que como resultado não poderão mais reconhecer os receptores celulares. Além disso, a peroxidação de ácidos graxos polinsaturados nos neurônios pode danificar a transmissão de impulsos e acelerar concomitantemente o fenômeno do envelhecimento.
 
Apesar de serem essenciais para o corpo, o consumo de polinsaturados não deve ser excessivo e, de qualquer modo deve sempre ser adequadamente protegido pela presença de antioxidantes (Índice E/AGPI).
 
Os ácidos graxos monoinsaturados não provocam a inibição dos receptores de LDL. Assim como os polinsaturados, eles asseguram uma boa fluidez da membrana mas de forma contrária eles são apenas minimamente atacados por produtos intermediários do oxigênio.
 
Ao passo que as gorduras alimentares têm um papel biológico importante, elas não podem ser dissociados da alimentação em geral, quer em termos do total do consumo de calorias, quer pela proporção de gorduras em relação aos outros nutrientes.
 
Hoje em dia, no mundo industrializado, cada vez mais pessoas estão no curso alimentar incorreto, quer seja por excesso (devido ao aumento da disponibilidade de alimentos, assim como à uma diminuição na atividade física), quer seja por um freqüente desequilíbrio entre os nutrientes. O consumo de gorduras está crescendo, com um aumento de ácidos graxos saturados de polinsaturados para detrimento dos monoinsaturados. O consumo de carboidratos está diminuindo, porém dentro desse grupo de consumo de oligosacarídeos está aumentando. O consumo dos produtos de origem animal também está aumentando, devido à maior consumo de proteínas de valor biológico e um aumento concomitante de gorduras saturadas estruturadas (gorduras escondidas). Verduras frescas são armazenadas e preservadas com métodos em que sempre matem suas propriedades biológicas. Os alimentos são refinados, o que reduz o seu conteúdo de vitaminas, minerais e antioxidantes e diminui a fibra vegetal bruta.
 
Todas essas mudanças, o produto da combinação do progresso tecnológico, o consumo cada vez mais freqüente de fast-foods e a mudança de gostos e hábitos, não deixam de Ter conseqüências negativas para a saúde, aumentando as doenças metabólicas e degenerativas. Seria então necessário cortar esses hábitos alimentares e trazer as pessoas de volta à um regime alimentar mais moderado e balanceado, tal como o do Mediterrâneo. Esse regime é caracterizado por consumo moderado , porém suficiente, de carne, leite e laticínios, um maior consumo de cereais e legumes (com isso um complexo de carboidratos), frutas e verduras frescas (que providenciam fibra, minerais, vitaminas e antioxidantes), um consumo aceitável de peixe (que contém ácidos graxos do tipo w3 além de Ter um alto valor de proteínas biológicas) e o azeite de oliva como principal fonte de gordura.
 
O azeite de oliva tem definitivamente um efeito protetor no metabolismo, nas artérias, no estômago, no fígado e no trato biliar, promove o crescimento durante a infância e estende a expectativa de vida dos idosos.
 
Sua composição balanceada, principalmente de ácido oléico monoinsaturado, seu fornecimento adequado dos ácidos linoléico e alfa linoléico (ácidos graxos polinsaturados essenciais), e seu alto conteúdo de antioxidantes garantem hoje em dia a preferência dos nutricionistas pelo azeite de oliva, uma opinião também dos gourmets por suas distintas características organolépticas que tornam o azeite de oliva tão satisfatório a saúde e ao paladar.
 
Em suma, se o azeite de oliva não existisse, nós teríamos que inventá-lo - Prof. Dr. Publio Viola - Primário Médico - Roma - Vice-presidente Academia Nacional de Oliva - Spaleto Itália.