O óleo de girassol a frio e a esclerose múltipla
 
A esclerose múltipla, uma doença do sistema nervoso central, é tão misteriosa quanto trágica. Em algumas pessoas, ela apresenta um curso relativamente benigno; em outras, os sintomas se agravam progressivamente, produzindo perda de coordenação, cegueira e até mesmo paralisia . A doença , no entanto, é caracterizada por remissões espontâneas que podem durar meses e até mesmo anos. Não se sabe ainda hoje por que ocorrem essas remissões. Elas são especialmente intrigantes à luz da crença predominante segundo a qual a esclerose múltipla é causada por alterações ou lesões na bainha de mielina, o revestimento protetor do cérebro e da medula espinhal. Em virtude das lesões nessa camada protetora, os impulsos nervosos não transmitidos adequadamente. Mas se esta é realmente a causa de esclerose múltipla, é difícil compreender como podem ocorrer essa remissões, a menos que as lesões apareçam e desapareçam, o que não parece ser o caso.
 
Em alguns casos essas remissões muito dramáticas e uma pessoa que mal consegue dar um passo num ano pode estar fazendo longas caminhadas no ano seguinte. Por este motivo, é extremamente difícil avaliar as terapias para a esclerose múltipla, principalmente quando elas são experimentadas pelos próprios indivíduos e não em grupos maiores de pacientes.
 
Até agora não existe uma boa evidência científica de que exista alguma terapia natural - ou médica - para a esclerose múltipla , que possa ser considerada digna de confiança . De fato algumas organizações fazem um grande esforço para transmitir isto às vítimas da esclerose múltipla e atacam o que afirmam existir uma terapia eficaz, acusando -os de falsos profetas. Quando ocorre uma melhora, dizem eles, trata-se simplesmente de uma remissão espontânea e não o resultado de uma determinada terapia.
 
Tudo isto está muito bem do ponto de vista científico. Mas cheguei à conclusão de que o que as vítimas da esclerose múltipla desejam não é declarações deste tipo, mas sim qualquer sugestão ou indicio de que algo talvez possa lhes ajudar . Elas não estão buscando curas milagrosas, mas alguma coisa que possa aumentar a sua mobilidade em 50 ou ate mesmo em 10%: e não estão preocupadas com o farto de essa melhora não durar para sempre.
 
O teste do óleo de semente de Girassol
 
Deste ponto de vista, vários relatos oferecem pelo menos um raio de esperança às vítimas da esclerose múltipla . Na Grã Bretanha, uma equipe de médicos afirmou que duas colheres de sopa de óleo de semente de girassol tomadas duas vezes ao dia reduziu a gravidade da doença e aumentou os períodos de remissão (British Medical Journal , 31 de março de 1973) . A pesquisa foi realizada pelo Dr. Harold Millar e seus colegas do Royal Victoria Hospital , em Belfast, Irlanda do Norte.
 
Um dos colegas do Dr. Millar vinha administrando oralmente óleo de semente de girassol a noventa pacientes e observou que o curso clínico da doença parecia ter melhorado. Para confirmar se o que estavam observando não era apenas casos de remissão espontânea , eles dividiram os 75 pacientes em esclerose múltipla em grupos de “ tratamento” e de “controle” . Só foram incluídos no estudo pacientes capazes de caminhar, com ou sem ajuda. No início do tratamento , todos estavam numa fase clinicamente inativa da doença.Qualquer paciente que já tivesse tomado o óleo de semente de girassol era excluído da pesquisa.
 
Duas doses de uma mistura de óleo eram administradas diariamente , pela manhã e à noite, durante um período de dois anos, Para o grupo de “ tratamento” cada dose consistia de duas colheres de sopa de uma emulsão do óleo de semente de girassol, oferecendo 8,6g de ácido linolénico. O grupo de “ controle” recebida duas doses diárias de uma emulsão semelhante em aparência e gosto mas que continha azeite de oliva em vez do óleo de semente de girassol. Cada dose desta emulsão proporcionava 3,8g de ácido oléico (um ácido graxo não essencial que pode ser sintetizado pelo organismo a partir de ácidos graxos saturados) e apenas 0,2g de ácido linoléico.
 
Os pacientes eram examinados a intervalos de dois a três meses e a severidade da doença por ocasião de cada visita era determinada com a ajuda de um gráfico especialmente projetado. Seu progresso era avaliado de acordo com a função sensorial, o funcionamento da bexiga e do intestino , a função visual e mental e capacidade do paciente de realizar tarefas comuns do dia-a-dia .
 
O grupo doDr. Millar determinou o efeito da emulsão do óleo de semente de girassol contando o número de recaídas durante um período de dois anos pelos pacientes dos dois grupos . Foram registradas 62 recaídas entre os 39 pacientes que não tomaram o óleo de semente de girassol, mas apenas 41 recaídas entre os 36 que haviam recebido o óleo. Não apenas as recaídas foram menos freqüentes no grupo de “ tratamento” ; elas foram muito menos severas. Na verdade, as recaídas - como perda temporária da visão ou fraqueza da pernas - foram consideradas duas vezes mais severas no grupo de controle; sua duração também foi muito maior.
 
Com toda objetividade, devemos lembrar que a razão pela qual o óleo de semente de girassol - rico em ácido linoléico - foi escolhido como suplemento foi o fato de o Dr. Millar ter determinado que as vítimas de esclerose múltipla possuem quantidades inferiores ao normal de ácido linoléico no sangue. Subseqüentemente, vários outros estudos indicaram que talvez isto não seja verdade e que as vítimas de esclerose múltipla possuem as quantidades normais do ácido linoléico . Isto não compromete os resultados clínicos embora lance alguma dúvida sobre a base bioquímica da terapia.
 
Título original: The Practical Encyclopedia of Natural Healing
Tradução : Sílvio Gomes Rolim
Consultoria da Edição Brasileira : Dr. Décio Teixeira Noronha
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